- você é aquilo que deseja ser. mas também aquilo que fazem de você. você é uma miscelânea. como se não bastasse a ressaca da noite anterior, ainda tinha de ouvir insistentemente os julgamentos que vinham de todos os lados.
de todos os lados, como uma vitrola quebrada, pulando no disco riscado. tudo junto. não à toa resolveu surtar. não à toa resolveu ficar fora de si. estar fora de si parecia uma desculpa indiscutivelmente plausível para aquela tarde, para aquela noite, para aqueles olhos todos seguindo e consumindo.
não bastava gritar para que todos ouvissem, o grito só atingia ela mesma. e, surpresa!, ela não conseguia se ouvir. parecia que o som saia em falso, o som não tinha corpo. não podia pegar. uma agonia que tinha tudo para não ser silenciosa.
trocou a auto-piededa por um saquinho de pipocas e foi ao cinema. um clássico com roteiro baseado em sua vida. comum e grosseiro, uma tentativa de surrealidade, mas patético e arrogante.